segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Aécio Neves diz que o PT fracassou


No desafio de atrair mais eleitores na região Nordeste, o candidato a presidente da República Aécio Neves (PSDB) esteve no último sábado em Salvador, onde lançou o programa Nordeste Forte.

O tucano, que concorre ao Palácio do Planalto, diz que terá um foco especial na região com a busca da potencialização de todas as atividades econômicas e a prioridade no término das obras inacabadas, como a Transnordestina e a Transposição do Rio São Francisco. Segundo ele, uma das propostas é também aumentar o IDEB da educação.

Com críticas ao governo atual, o tucano afirmou que a sua candidatura carrega o compromisso com “uma gestão eficiente, ética, descentralizada e com uma nova visão de mundo”.

O candidato disse que nos próximos 45 dias terá espaço para mostrar suas propostas e convencer o seu eleitorado. “Eu tenho plena confiança que estarei no segundo turno e no segundo turno vencerei as eleições”.

Tribuna - Quais os pilares do programa Nordeste Forte, lançado aqui em Salvador?
Aécio Neves - A primeira questão colocada é a compreensão de que as regiões desiguais devem ter um tratamento desigual, exatamente para se tornarem mais homogêneas. Nosso governo terá um foco claro nessa região na busca da potencialização de todas as atividades econômicas que as regiões já têm, mas que não avançam na velocidade que deveriam avançar, gerando mais renda e emprego porque há ausência do estado. Os pilares desse programa passam pelo choque de infraestrutura, concluindo obras inacabadas e eventualmente definindo outras que sejam alavancas do desenvolvimento regional. Eu cito, por exemplo, a Transnordestina e a finalização da transposição do Rio São Francisco. Ela terá um eixo claro na questão da segurança pública, que é hoje uma das preocupações da população e nós estamos assistindo nessa região um alto índice de criminalidade, com indicadores crescendo com absoluta omissão do governo federal. Não há hoje uma política nacional de segurança que nós vamos criar no nosso governo a partir da transformação do Ministério da Justiça em Ministério da Segurança pública e da Justiça, coma proibição do contingenciamento dos recursos para a área, com uma ação planejada com os estados, colocando nas ruas os policiais que estão em serviços administrativos com o subsídio da União para que outros venham fazer esse trabalho, com a profunda reforma do código penal e do sistema penal para inibir o sentimento de impunidade que está espalhado em todo o País. A descentralização será uma das marcas desse nosso projeto, pois temos que fortalecer os municípios brasileiros, em especial do Nordeste, e com metas a serem alcançadas. Nós queremos que, em dez anos, o IDEB, que mede a qualidade da educação, possa, no Nordeste, alcançar a média nacional. Na saúde pública vamos buscar indicadores que permitam que, já ao final de quatro anos, por exemplo, leitos hospitalares per capita iguais aos que temos nas demais regiões do País.

Tribuna - O que fazer para reverter o favoritismo da presidente Dilma Rousseff (PT) no Nordeste e em um estado importante como a Bahia?
Aécio - Apresentando propostas. A nossa candidatura carrega um compromisso com uma gestão eficiente, ética e descentralizada e com uma nova visão de mundo. Hoje nós estamos amarrados a essa visão anacrônica de mundo, com alinhamento ideológico que não tem permitido ao Brasil ampliar mercados para seus produtos e do ponto de vista da gestão pública. O aparelhamento e a destruição das agências reguladoras são as principais marcas deste governo. O que nós queremos é reestabelecer a meritocracia na gestão pública e debater ideias. Nestes 45 dias que nos restam teremos espaços para mostrarmos aa nossas propostas. Eu tenho plena confiança que estarei no segundo turno, e no segundo turno vencerei as eleições.

Tribuna - A morte de Eduardo Campos impacta diretamente nesta eleição. Como o senhor avalia esse cenário após a ascensão de Marina Silva candidata?
Aécio – Olha, realmente é uma mudança no quadro eleitoral. Eu, por um lado, sinto a morte de um amigo de 30 anos que buscava apresentar ao Brasil o seu projeto, e vamos aguardar que este momento de impacto que atingiu a todos nós possa dar espaço ao debate das ideias, ao clima de maior racionalidade na decisão do eleitor. Eu tenho muita confiança que pela solidez das nossas propostas, pela coragem que temos demonstrado a partir das nossas experiências de gestão em mudar aquilo que está errado, eu tenho plena confiança que com os apoios regionais que temos recebido e na Bahia de forma muito especial, com o apoio de Paulo Souto, Geddel e de forma mais especial ainda do prefeito ACM Neto, eu acredito que temos todas as condições de avançar a cada semana, avançar a cada debate para que cheguemos às eleições de forma muito competitiva. Para a Bahia, a nossa eleição será muito importante porque Paulo Souto caminha para se eleger governador da Bahia e ele terá um aliado para que todas as demandas da Bahia tenham efetivamente atenção do governo federal.

Tribuna – O Jornal O Globo noticiou que a candidata Marina Silva tirou o senhor da liderança em São Paulo, Minas e ela já lideraria também no Rio de Janeiro. O que fazer para estancar uma queda como essa?
Em Minas continuamos, claro, liderando, agora há sim uma mudança no cenário que não sei se tem consistência. O tempo dirá se ela é consistente. Eu tenho enorme respeito pela candidata Marina, ela terá oportunidade de apresentar as suas propostas, de debatê-las. Agora, eu não tenho dúvida de quer nós temos o projeto mais bem acabado, mais elaborado, mais consistente para que o Brasil possa avançar.

Tribuna - O que fazer para convencer o eleitorado de que o senhor é mais preparado para gerir o País pelos próximos quatro anos? 
Aécio - Eu acho que nós somos em grande parte aquilo que fizemos. A minha campanha, ela tem três vértices centrais. O primeiro é mostrar quem eu sou, o segundo, o que eu fiz e o terceiro, o que eu pretendo fazer pelo País, e isso a nossa propaganda, nos debates vai ficar muito claro. A nossa experiência no governo será certamente um aval para aquilo que precisa ocorrer no Brasil. Nós precisamos de um governo que concilie ética e eficiência e é isso que o Brasil busca.

Tribuna - O senhor concorda com a tese de que a presidente Dilma e o PT não conseguem mais vender esperança e imprimir um modelo de gestão eficiente?
Aécio – O governo do PT fracassou na condução da economia, nos deixará como legado inflação alta e crescimento baixo, o que impacta na perda de credibilidade do País. Fracassou na gestão do estado e as obras estão aí inacabadas por toda a parte; fracassou na gestão da área social porque os nossos indicadores de educação e de saúde deixaram de melhorar; fracassou na questão da segurança pública porque a criminalidade só faz aumentar em todo o País; e fracassou naquilo que é essencial que é a capacidade de gerar confiança na nossa gente e naqueles que deveriam ser parceiros para investir no Brasil. O governo da presidente Dilma, em minha opinião, vive seus estertores, e quem tem as melhores condições de não apenas mudar, mas mudar para melhor somos nós. O PSDB e a nossa candidatura neste instante é a mudança verdadeira e consistente que o Brasil espera.

Tribuna - Como avalia a disputa na Bahia com o cenário hoje apontando favoritismo de Paulo Souto?
Aécio – Paulo Souto é um quadro extraordinário da vida pública brasileira. A sua gestão na Bahia é uma referência para outros estádios brasileiros. Eu disse lá atrás e tenho repetido que essa é uma das alianças que me deixou mais feliz porque é uma aliança em favor da Bahia e de proximidade com o plano federal. A vitória de Paulo Souto é a segurança de que teremos uma grande parceria em favor da Bahia, essa aliança é extremamente sólida e vai além das fronteiras do estado e repercute em especial nos demais estados da região Nordeste. A vitória de Paulo Souto certamente ajudará que possamos ter também na Bahia um ótimo resultado, e esse resultado ajudará que vençamos as eleições.

Tribuna - O que a população do estado pode esperar de Aécio Neves caso ele se eleja presidente?
Aécio – Olha, um parceiro sensível aos problemas reais das pessoas. Eu quero ser um presidente que enfrenta os problemas, que melhora a qualidade da saúde pública, que planeje a questão da segurança pública em parceria com os estados, que enfrente a questão da mobilidade pública, sempre dizendo a verdade. Um presidente que atraia o capital privado, sem riscos, sem inseguranças que hoje são geradas porque ele é essencial para que investimentos importantes venham. O nosso governo será o governo do planejamento, não será o governo dos pacotes mirabolantes. Será o governo da responsabilidade, do resgate da credibilidade do País e do crescimento. É essencial que o Brasil volte a crescer, pois País que não cresce não gera empregos. Em resumo eu digo que o meu governo será o governo da sensibilidade para as pessoas que mais precisam, mas também o governo do resgate da capacidade do Brasil de crescer.

Tribuna - Teme de alguma forma que o crescimento de Marina o deixe fora do segundo turno?
Aécio – De forma alguma. Quem entra numa disputa como essa tem que olhar pra frente. Eu acreditei desde o início, desde lá detrás no ano passado, de que nós temos o melhor projeto para o Brasil. Hoje eu sou intérprete de um sentimento de uma parcela importante da sociedade brasileira que quer um governo experiente, um governo eficiente, com quadros qualificados, corajosos e ousados. É isso que nós temos a oferecer.

Tribuna - O senhor pretende herdar isso de Eduardo Campos?
Aécio – Não se trata de herança. Pelo contrário. Acho que a nossa gestão foi aprovada em Minas Gerais por 92% da população. Não preciso herdar nada de ninguém. Ao contrário, pois temos exemplos de Minas Gerais que foram seguidos por muitos estados brasileiros e eu me orgulho muito disso. Nós somos uma boa escola de gestão pública, inclusive inspirando vários programas de Pernambuco.

Tribuna – O senhor falou que o país hoje é um “país de obras inacabadas”. Como destravar gargalos, sobretudo na área de logística e infraestrutura?
Aécio – Estabelecendo prioridades. E o Brasil não tem. O Brasil, o governo do PT, trata como se fosse natural você ter obras com sobrepreços que passam do dobro daquilo projetado inicialmente e pelo meio do caminho. A transposição do São Francisco inicialmente foi orçada em R$ 3,5 bilhões para ficar pronta em 2010. Não se sabe quando ficará pronta e custou mais do que isso. A Transnordestina, que também foi orçada inicialmente em    R$ 3,5 bilhões, está hoje orçada em mais de R$ 7 bilhões. A Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, inicialmente orçada em R$ 4 bilhões, já gostou mais de R$ 30 bilhões. Será a refinaria mais cara do mundo. Não se pode iniciar uma obra sem que ela tenha o projeto adequado e sem que haja os recursos para a sua conclusão. Não existe maior desperdício de dinheiro público do que você iniciar uma obra e não entregá-la, porque você gasta o dinheiro e o benefício não chega. Eu estive recentemente na região, visitando trechos da transposição do São Francisco, e é de uma irresponsabilidade que causa indignação a qualquer cidadão com o mínimo de sensibilidade. Obras abandonadas há três anos. Nas capitais, e Salvador é um exemplo disso, nós estamos com as obras do metrô se arrastando há 10 anos e o governo insiste nessa excentricidade – para não usar um termo mais forte – do trem-bala, que custaria R$ 38 bilhões aos cofres públicos. Com R$ 38 bi você faz 300 km de metrô nas principais capitais do Brasil. Então, falta prioridade ao governo, falta foco, gestão. Já que o aparelhamento da máquina pública é a principal marca desse governo. Eu acho que esse ciclo deve se encerrar, não em benefício do PSDB ou das oposições, mas em benefício do Brasil e dos brasileiros.

Tribuna – O que a população do estado pode esperar de Aécio Neves?
Aécio – Seriedade, ética e uma vontade enorme de fazer o Brasil voltar a caminhar em busca de um futuro melhor. O governo do PT se contenta apenas com a administração da pobreza. Nós queremos mais, nós queremos a superação da pobreza. Para o PT, por exemplo, o Bolsa Família é o ponto de chegada. Para nós é o ponto de partida.

Fonte: Tribuna da Bahia

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