segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Reguffe fala com exclusividade para o jornal Diário da Manhã



Antônio Reguffe (PDT)
Por: Walter Brito

Fui amigo de Pompeu de Sousa, Maurício Corrêa e Meira Filho, os primeiros senadores de Brasília. Tenho orgulho de dizer que fui amigo de todos os senadores que Brasília já teve até hoje e, a todos apoiei, pois eram senadores da capital brasileira! Dos principais candidatos que disputaram o Senado por Brasília, no dia 05 de outubro, com possibilidades reais de vencer o pleito, me considero amigo de todos eles: Gim, Reguffe e Magela. O Gim eu conheço do Clube Primavera em Taguatinga, quando tinha 18 anos e foi meu aluno de matemática, oportunidade em que lecionei nos cursinhos pré-vestibulares de Brasília. Quando fui nomeado pelo presidente Fernando Collor de Melo, para dirigir a Fundação Cultural Palmares, à época vinculada à presidência da República; o senador Gim era frequentador assíduo de meu gabinete. Em todas as suas campanhas políticas, dei a minha modesta contribuição. Gim obteve 371.525 votos, o que corresponde a 18,92%.

Conheci o Magela em 2002, quando rachamos a direita, inclusive o PFL de meu padrinho de casamento e amigo Paulo Octávio. O evento ocorreu na casa do Maranhão, na Asa Sul em Brasília. Fizemos por convicção, pois, entendíamos que apoiar Magela para Governador era à época, o melhor projeto para Brasília. Perdemos por 15.778 votos para Joaquim Roriz, que depois se tornou meu amigo. Tive o prazer de assessorá-lo em várias empreitadas, inclusive, ajudando-o a levar Dona Weslian Roriz para o segundo turno em 2010 e, potencializar as candidaturas de Liliane e Jaqueline Roriz, com os 100 mil votos do Entorno de Brasília. As duas filhas de Roriz, foram eleitas respectivamente, para a Câmara Legislativa do Distrito Federal e Câmara Federal.
O Reguffe, eu o conheci, como estudante da UnB, onde fazia economia. Quando criou o programa “Ideias com Reguffe”, o maior sucesso de seu programa, foram os acalorados debates pela disputa da presidência da OAB em 2003, que ajudei a levar para o seu programa. À época, eu coordenava a campanha de um dos candidatos à presidência da OAB/DF. Admiro os três que disputaram o Senado por Brasília, entretanto o povo avalizou Reguffe, com 826.576 votos. Ele agora é sem dúvidas o grande líder da esquerda brasiliense. Certamente Reguffe é a maior arma de Rodrigo Rollemberg para vencer a disputa rumo ao Palácio do Buriti no segundo turno. Comenta-se, inclusive, nos bastidores da política candanga, que Reguffe será candidato à presidência em 2018.

Entrevistamos Reguffe com exclusividade para o jornal Diário da Manhã, leia na íntegra.

Diário da Manhã: Fale um pouco sobre sua vida em Brasília, sua trajetória política e, o que pretende fazer daqui para frente?

Antônio Reguffe: Nasci no Rio de Janeiro e vim para Brasília acompanhando meu pai que veio transferido de lá para a capital brasileira. Meu pai já faleceu. Ele era oficial da Marinha. Levei três eleições para ter um mandato de deputado distrital, portanto, ninguém me deu isso gratuitamente. Perdi a primeira eleição e também perdi a segunda. Felizmente na terceira fui vitorioso. Tive um mandato como deputado distrital e estou no exercício de um mandato de deputado federal, quando fui o mais votado proporcionalmente do país. Concorri e venci o pleito ao Senado pelo PDT, e pretendo lutar por duas grandes reformas que esse país precisa fazer: A primeira trata-se da reforma política e a segunda, a reforma tributária. Quando falo de reforma política, estou me referindo a mudança efetiva e forma de eleger os políticos. Infelizmente, o acesso à política é muito difícil ao cidadão comum, da forma que se dá atualmente. Eu mesmo levei três eleições para ter um mandato de deputado distrital. Quanto à reforma tributária, imagino que haja uma redução na carga tributária, que simplifique o nosso modelo tributário. Como sabemos, hoje é muito pesado para qualquer cidadão desse país, pois é a maior carga tributária dos países emergentes. Refiro-me a uma carga tributária superior a 33% do PIB, o que é um absurdo e não podemos admitir isso. Estou assumindo compromisso, inclusive, independentemente de quem seja eleito ou eleita, presidente ou presidenta do Brasil. E ressalto que, qualquer proposta que crie imposto ou que aumente a alíquota do imposto, seja para o pobre ou para a classe média; meu voto será contrário. Acrescento ainda que, existem muitos parlamentares que se preocupam em agradar o governo. Eu particularmente tenho um lado, e, meu lado é o lado do contribuinte e do cidadão desse país.

DA: Seus adversários falaram que o senhor não cumpriu nos seus mandatos, o que prometeu. O que o senhor tem a dizer sobre isso?

AR: Liderei as pesquisas e venci o pleito para o Senado. Isso é o reconhecimento do meu trabalho como deputado, portanto é a opinião do povo que vale. Sempre digo que as pessoas podem me criticar por qualquer coisa, menos por uma: nos meus mandatos, cumpri absolutamente tudo o que eu prometi, com quem deu a mim um voto. Eu cumpri ponto por ponto. Escrevi no meu panfleto de campanha, que eu mesmo saí distribuindo nas ruas de Brasília de mão em mão, todas aquelas propostas que constavam ali. Todas elas e sem exceção, viraram propostas de leis nos meus mandatos, e mais, todas aquelas medidas que eu disse que adotaria, muitas das quais, muita gente boa disse que seria impossível, que a pessoa quando chega no poder, muda, que todo mundo muda, eu não mudei! Adotei uma por uma e na prática em meu gabinete. Então eu reafirmo que as pessoas podem me criticar por qualquer coisa e, menos por uma: Eu honrei e cumpri tudo aquilo que propus a fazer, ponto por ponto! Acredito que esse carinho das pessoas, trata-se do reconhecimento a isso, ou seja; uma pessoa que entrou na política se comprometendo a fazer determinadas coisas e cumpriu tudo que prometeu.

DA: Não vi nenhum cavalete, carro de som e nem cabos eleitorais na rua pedindo voto para o senhor. Como é que as pessoas ficaram sabendo de forma ampla, que o senhor era candidato ao Senado?

AR: Minha campanha foi a mesma, desde a primeira eleição que disputei. Eu fiz uma campanha propositiva ao Senado, assim como acho que uma campanha deve ser. Penso que uma campanha precisa ter propostas afirmando compromissos. Que uma vez eleito, assim como eu fiz no meu mandato de distrital, bem como no meu mandato de deputado federal; o eleito deve cumprir ponto a ponto, o que prometeu. Eu fiz uma campanha propositiva, uma campanha que discutiu ideias e formas de renovar o nosso Senado Federal, que precisa tanto de uma renovação. Eu fiz uma campanha limpa, sem sujar as ruas. Ninguém viu carro de som meu na rua; ninguém viu uma placa minha na rua; ninguém viu um comitê meu na cidade. Vale ressaltar, que a minha coligação tinha comitê, mas eu mesmo não tive. Ninguém viu nenhuma pessoa remunerada panfletando para mim. Muita gente me disse, inclusive alguns amigos, que para o Senado, não daria certo esse tipo de campanha, pois precisava de mais estrutura. Eu decidi fazer a campanha do mesmo jeito. Fiz do mesmo jeito até o último dia de campanha. Deu certo!

DA: Por que o senhor resolveu apoiar o Rodrigo Rollemberg do PSB, quando ele tinha apenas 7% nas pesquisas de intenção de votos?

AR: O Rodrigo representa nesse momento, o novo e a sociedade exige renovação. Ele é minha opção de voto, pois quero ver um novo tipo de administração na vida pública. Quero que seja mais moderna, mais eficiente e inovadora. Acho que a gente precisa mudar a forma de administração pública no Brasil. Precisamos de criar governos inovadores, governos que consigam ser mais eficientes e fazendo mais com o que já tem, sem querer descontar mais do contribuinte. Sabemos que descontando do contribuinte, precisa, necessariamente, de aumentar impostos e criar taxas. Entendo que o governo, precisa passar por uma redução brusca no número de cargos comissionados, como temos hoje no Distrito Federal. Trata-se de um número de cargos excessivos, o que não posso concordar. O Rodrigo colocou no seu programa de governo, uma proposta minha, que é devolver ao cidadão do DF, todos os impostos locais sobre remédios, por meio do programa “Nota Legal”. No ano subsequente, tenho a convicção de que será a melhor alternativa para todos nós do Distrito Federal. Rodrigo Rollemberg tem o meu voto!

DA: Como foram os ataques que o senhor sofreu de seus adversários?

AR: Eu continuei fazendo minha campanha, sem nenhum xingamento e sem nenhuma baixaria. Eu fiz minha campanha do jeito que fiz todas as que participei do processo político. Minha campanha foi feita de forma propositiva, discutindo ideias, propostas e compromissos. É isso que a população espera dos candidatos, ou seja, que eles mantenham o nível e façam debate fundamentado nas ideias. Eu fiz um debate qualificado com propostas e não tentei atacar ninguém pessoalmente. Não fiz críticas a vida pessoal de nenhum candidato. Repito, campanha tem que ser propositiva e não ataques que tentem desmerecer A ou B. Francamente, penso que o eleitorado não fica satisfeito com aqueles que a todo tempo tentam desclassificar os seus adversários. Isto eu não fiz na minha campanha!

DA: Qual a mensagem que o senhor deixa por meio do Diário da Manhã?

AR: Vou honrar cada um dos pontos que está escrito no meu panfleto de campanha. Trata-se do panfleto que eu distribuí nas ruas do DF pessoalmente de mão em mão. Acho que política deve ser assim, o candidato olhar no olho do eleitor. Acredito que precisamos resgatar o valor da política, por meio de atitudes e não apenas com palavras. Voto em nosso país, muita gente compra de forma direta e indireta. Entretanto, quem é do bem pede e tenta convencer. Eu quero com muita humildade, agradecer a cada brasiliense que deu a mim o seu voto.

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