sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

O cidadão do mundo Roberto D’Avila: A expectativa da entrevista com Obama e Raul Castro


Por: Walter Brito
Questionado por alguns, mas aplaudido por muitos e, em diversas partes do mundo, Roberto D’Avila completará 40 anos na TV entrevistando personalidades de todos os segmentos. Atualmente ele é entrevistador da Globo News.
É claro que nem todos gostam do seu estilo, entretanto, nem Cristo foi unanimidade entre os humanos. Ao estrear na Globo News no mês de março, quando entrevistou o presidente da Suprema Corte, Joaquim Barbosa, um certo jornalista criticou duramente o entrevistador e entrevistado. O crítico diz que, quando ex-presidente do Supremo, falou que estava processando um jornalista por racismo, D’Avila nem quis saber o nome do processado, logo não entrou em bola dividida, o que na sua opinião é uma falha grave. O jornalista afirma que D’Avila ficou o tempo todo de joelhos diante da autoridade maior, da Suprema Corte brasileira. Quando o ministro lhe disse que tinha 59 anos, D’Avila respondeu que ele era muito jovem. O ataque veio de pronto: “Alexandre, O Grande, aos 33 anos tinha ganhado e perdido o mundo”. Quanto ao ministro, o jornalista não perdoou, e disse que Joaquim Barbosa perdeu a oportunidade de defender a negritude brasileira, no período em que foi relator do mensalão e tinha a mídia ao seu favor. Em ambos os casos, eu discordo do jornalista. Entendo que apresentador de TV, cada um tem seu estilo próprio. No caso do ex- ministro, a sua trajetória no Supremo, certamente foi uma importante referência para o povo negro brasileiro. Assim como o atleta do século Edson Arantes do Nascimento, o Pelé. Os dois são personalidades importantes para a negritude do mundo, independentemente de suas participações na discussão racial. Joaquim Barbosa foi sem dúvidas, no período em que atuou como relator do mensalão e como presidente do STF, a mais importante personalidade pública brasileira. Ele já passou para a história de um país, cuja população negra teve participação efetiva, em sua construção. Pela primeira vez, por meio de Barbosa no Supremo, os afrodescendentes tiveram um dos seus, de fato e de direito no poder!
D’Avila, que entrevistou com muita maestria o saudoso geógrafo e intelectual negro Milton Santos, referente a questão racial e outros temas; também deu espaço em seu programa para a discussão do 20 de novembro, Dia Nacional da Consciência Negra, o Dia de Zumbi dos Palmares. Atitudes como esta, colocam o repórter no patamar do seleto grupo de entrevistadores, que falam sobre todos os temas, deixando o entrevistado desenvolver o seu pensamento. D'Avila se apresenta na televisão, com a elegância de um parisiense, a generosidade do brasileiro e, quando lhe é exigido: a contundência de um repórter de proa, que conhece e conviveu com personalidades de todo o mundo.
Polêmicas à parte, D'Avila já entrevistou mais de mil personalidades de todos os continentes. Entre eles, Leonel Brizola no exílio e Fidel Castro depois de 25 anos fora da TV, oportunidade em que concedeu a sua primeira entrevista a uma emissora de nosso país.
Quando D’Avila inovou na TV, colocando ao seu lado o famoso Caetano Veloso para entrevistar outro famoso, o Tom Jobim; alguns criticaram. Como também criticaram, quando ele selecionou o time de craques: Fernando Henrique Cardoso, Otto Lara Resende e Nelson Rodrigues, para entrevistar junto com ele, o então ministro da Justiça, Ibrahim Abi-Ackel. Torceram o nariz e disseram que era marketing do playboy, que se gabava por ter se formado em história e jornalismo na Sorbonne. Ledo engano! Foi o maior sucesso e, D’Avila foi em frente.
Do sucesso na TV, o jornalista passou pela vida pública, onde permaneceu por uma década. Ao lado de Ulisses Guimarães e parlamentares importantes e de outros menos importantes; ele ajudou a escrever a nossa Constituição de 1988. O repórter foi vice-prefeito de César Alencar no Rio, quando conseguiu ser amigo no mesmo período, dos adversários históricos: Leonel Brizola e Roberto Marinho. Naquele período, o jornalista da Sorbonne, foi importante discípulo de
Brizola, quando conheceu de perto as convicções trabalhistas do velho caudilho. Por outro lado, enquanto gozava da amizade do criador da TV Globo, onde brilhou profissionalmente por meio dos programas: Fantástico, Jornal Hoje e Jornal Nacional.
Em sua trajetória, D’Avila entrevistou também François Mitterrand e sua esposa Danielle Mitterrand, o senador americano Ted Kennedy, o bispo Desmond Tutu, Federico Fellini, Woody Allen, Salvador Domingo Felipe Jacinto Dali i Domènech, Marc Chagall, Liv Ullmann, Yves Montand, Mick Jagger, entre outras personalidades internacionais. Entre os brasileiros, destaca-se Brizola, já citado anteriormente e os seguintes: Miguel Arraes, Celso Furtado, Pelé, Luiz
Carlos Prestes, Augusto Boal e o general Dilermano Monteiro, entre muitos outros.
O cidadão do mundo, Roberto D’Avila, mora em Ipanema – Rio de Janeiro, onde caminha todas as manhãs. Observador atento do cotidiano, o repórter trocou as badalações da vida noturna carioca pela mansidão dos cinemas da Zona Sul, seu habitué nas noites de folga, quase sempre acompanhado da namorada Ana Vitória Lemann. O empresário e jornalista Roberto D’Avila, por meio de sua empresa Intervídeo, é parceiro de Luiz Carlos Barreto no filme que conta a história do ex-operário Luiz Inácio Lula da Silva. Eclético, o jornalista é um grande maestro da vida. Ele convive muito bem com as adversidades e sem radicalismo. Seu relacionamento com pessoas de ideologias opostas é uma constante. Comenta-se os mais íntimos, que foi ele quem aproximou Brizola e Roberto Marinho, no final de suas vidas. D'Avila contribuiu com o filme, sobre a trajetória do operário mais famoso do Brasil e é parceiro de Daniel Filho, numa empreitada onde o protagonista diverge de forma bastante forte, do filho de Garanhus. Trata-se de um documentário sobre o sociólogo, poliglota e ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.
O jornalista declarou recentemente que tem o desejo de entrevistar Barack Obama e Raul Castro. Como ele próprio diz: “Para ser um bom entrevistador, é preciso ter sorte, como todas as coisas na vida”. Nesse sentido, o desejo de entrevistar os mais ferrenhos adversários das Américas: EUA e Cuba, que agora reestabeleceram suas relações diplomáticas, fica mais próximo e, ao que tudo indica, dará mais audiência do que antes.
A aproximação dos dois rivais, tem como marca forte, a libertação do americano Allan Gross e, em troca três agentes de inteligência cubana, que estavam presos. Eles agora voltam à ilha dos Castros. E mais, cogita-se a abertura da embaixada dos EUA em Havana.
Como se vê, as portas se abrem para o cidadão do mundo e jornalista Roberto D'Avila, que se prepara para entrar em campo. Considerado o Romário da televisão, D'Avila certamente não errará o pênalti que lhe é oferecido. Trata-se mais uma vez da unidade na diversidade, ou seja, mesmo que Obama e Raul Castro tenham pensamentos diversos, a união dos dois líderes favorecem o mundo.
Como se sabe, entrevista bem-feita na TV é um espetáculo. Brasileiros de todos os rincões esperam que D’Avila comemore os seus 40 anos na televisão, entrevistando Obama e Raul Castro.

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