quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Técnicos dos grandes clubes do futebol brasileiro ganharão menos em 2015


SÃO PAULO - Após passar ano sabático à espera de um convite, que não veio, para a seleção, Tite voltou à velha casa. Apresentado nesta terça-feira pelo Corinthians, ganhará, nestes três anos de contrato, cerca de 30% menos do que na passagem anterior, quando foi campeão da Copa Libertadores e do Mundial em 2012. Embora as cifras não tenham sido divulgadas, consta que ficarão abaixo dos vencimentos de seu antecessor, Mano Menezes, o que aponta para uma revisão de valores no futebol brasileiro.

No Rio, o Flamengo deu início à renovação antes de Vanderlei Luxemburgo acertar sua permanência no fim do Brasileiro. Desde que o técnico aceitou voltar ao clube por valores abaixo do que recebia em 2010, a tendência se tornou padrão. Em meio à faxina que os tempos exigem, as recém-empossadas diretorias de Vasco e Botafogo começam a enxugar custos, a começar pela contratação dos técnicos Doriva e René Simões.

- Como na Europa, o futebol no Brasil teve de se reajustar. E esse ajustes são normais e estão relacionados ao momento econômico de cada país - declarou Gilmar Veloz, agente de Tite e também de Felipão, que já ganhou cerca de R$ 700 mil mensais e hoje, no Grêmio, deve receber a metade desse valor. - Não são os profissionais que ditam os salários. É o mercado.

Tite receberá cerca de R$ 430 mil por mês, quase R$ 200 mil menos do que antes. Mano Menezes ganhava R$ 633 mil. O acordo inclui bonificações e a obrigação de responder por questões polêmicas do futebol corintiano. Uma delas dava conta de que o treinador estava voltando para ganhar R$ 700 mil.

- É irreal. Injustificável. Ficam jogando valores que não conferem - disse Tite, semana passada, sem esconder a impaciência que já havia desaparecido do semblante ao se reapresentar, hoje, ao Corinthians.

- É um prazer estar de volta. Não sei se terei o mesmo êxito, mas terei a mesma conduta.
O Palmeiras também apresentou seu treinador. Demitido pelo Santos, em setembro, Oswaldo de Oliveira será o primeiro técnico a dirigir os quatro grandes do Rio e de São Paulo.

- Fico muito orgulhoso. E não foi esse o motivo que me atraiu ao Palmeiras - afirmou o treinador. - É questão acidental ter chegado aqui por último. Como quem ri por último, ri melhor, tomara que aqui seja a fase mais bem-sucedida da minha trajetória paulista
Em São Paulo, só seis técnicos passaram pelos quatro grandes antes de Oswaldo acertar com o Palmeiras. No Rio, foram oito. Dentre as passagens mais marcantes, ele citou o Botafogo.

- Muitas vezes, o torcedor contestou nosso trabalho. E agora, com o que aconteceu, tenho escutado outro tipo de retórica. Quando me falam que deixei o Botafogo, e o Botafogo caiu, respondo: foi o Botafogo que me deixou! - afirmou o técnico, que ganhará menos do que recebia no Santos, e, mesmo assim, deve ter salários acima do que o Palmeiras pagava ao antecessor, Dorival Júnior.

Mesmo com o contrato já renovado com o Flamengo, Vanderlei anunciou nesta terça-feira que fora sondado por pessoas ligadas ao Internacional após Abel Braga deixar o Beira-Rio. Embora a diretoria do clube gaúcho tenha negado o interesse, Vanderlei aproveitou o episódio para valorizar sua condição rubro-negra, mesmo que seus salários, de R$ 350 mil, sejam inferiores aos R$ 500 mil que o clube pagava a Ney Franco este ano.
Nesse vai e vem do mercado, quem ri à toa é Marcelo Oliveira, técnico bicampeão brasileiro (2013/2014) com o Cruzeiro. Ele, sim, teve aumento.

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