sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

A Petrobras é do povo. Quem deve ser punido são os verdadeiros ladrões

O marketing da Petrobras, que nós todos do Brasil conhecemos desde e a sua fundação, é "O petróleo é nosso". Na verdade, se traduz melhor se dissermos "a Petrobras é nossa". É nossa sim, é do povo brasileiro. É o Tesouro Nacional que socorre e sempre socorreu, é o Tesouro que aporta, que paga royalties para municípios, é o Tesouro que faz com que a Petrobras alavanque o desenvolvimento dos brasileiros.
E nós, que somos o povo, ouvimos calados como se fôssemos nós os ladrões. Sim, nós, lógico. Nós mesmos somos atacados, porque a Petrobras é nossa. E por que ouvimos como se fôssemos nós os ladrões? 
Petrobras
Petrobras
Os ladrões, dez, 15 ou 20 senhores, foram indicados por políticos do poder, ou fora dele, apaniguados com receptadores conhecidos e já com nomes divulgados na Operação Lava Jato como os verdadeiros vencedores desse ato de apropriação indébita de nosso patrimônio.
Dez ou doze famílias endinheiradas, donas de empreiteiras, podem e devem ressarcir o Tesouro Nacional. Os investidores que se dizem prejudicados, através de solicitação justa na Justiça, e cujos requisitos de ação cumpram as formalidades adequadas e respeitem o estatuto da Petrobras, têm o direito de buscar ressarcir seus supostos prejuízos pelo interesse publico. Mas não podemos aceitar que essa ação seja contra o povo. Afinal, a Petrobras é nossa.
Essa ação tem que ser sim contra os verdadeiros ladrões, que são meia dúzia de ladrões indicados por políticos, talvez de sua mesma laia. Essa ação também deve ser contra empreiteiras, bancos e todos que foram os grandes ganhadores do que foi roubado, extorquido, espoliado, usurpado da Petrobras.
Essa malta de bucaneiros tem suficiente patrimônio para devolver o que roubaram. É deles que os supostos lesados devem cobrar. E nós, povo, é que devemos e temos o direito, em defesa do que é nosso, de acionarmos essa quadrilha que nos rouba há tantos anos não só na Petrobras, como dizem os delatores, mas também em quase todas as obras onde o povo é o perdedor. 
Nós sim, pátria amada, nós sim, povo amado, é que somos obrigados, devemos e temos o direito de interpelar, com ação popular ou não, esses que já todo o país e o mundo conhecem como nosso ladrão. O ladrão da Petrobras é nosso: bancos, empreiteiros, intermediários, terceirizados e esses trombadinhas que, pelo volume de dinheiro que roubaram, se transformaram em delinquentes mais importantes do que vários chefes do tráfico reunidos.
Não faltam instrumentos jurídicos, nem instituições legitimadas para buscarem judicialmente o ressarcimento do Tesouro. Ações Populares, que podem ser promovidas por qualquer cidadão, o Ministério Público, ou entidade de defesa da cidadania, como a OAB, por exemplo. A denunciação à lide dos roubadores já conhecidos e outros que ainda virão à tona para que assegurem a volta dos recursos aos cofres públicos.
Os cidadãos tantas vezes conduzidos a exigirem a punição de jovens infratores precisam entender que esses jovens se tornam infratores porque assistem ao mau exemplo que grassa nas classes financeiras dominantes, subtraindo recursos que deveriam estar sendo aplicados na melhoria de políticas públicas impunemente.
A busca da punição através das prisões espetaculosas, que logo são relaxadas através de excelentes advogados contratados a peso de ouro e pagos regiamente com o dinheiro roubado do povo, não é melhor solução que a os obrigar a ressarcir o Tesouro do Povo com o dinheiro subtraído, devidamente corrigido e acrescido de multas pecuniárias, o perdimento dos bens adquiridos com esse dinheiro ilícito em favor da União, são medidas didaticamente muito mais eficientes do que simplesmente uma cinematográfica prisão temporária que nenhum benefício traz ao assaltado orçamento da nação.
Onde está a Ordem dos Advogados do Brasil, que ainda não percebeu que, como Ordem dos Advogados do Brasil, deveria estar respeitando e ajuizando a defesa do povo brasileiro?

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